
Por Jardel Nunes
Perdidos, assim estão Bob e Charlotte na terra do sol nascente... ele, mesmo não gostando, aproveita o resto da fama que obteve como ator nos anos 70 para fazer alguns comerciais... ela, casada a pouco, acompanha o marido que está fotografando uma banda de rock local.
A diferença de idade e as experiências de vida não atrapalha os dois de se enturmarem nas horas de insônia, causadas pelo fuso horário... afinal, os dois passam pelo mesmo: afirmação. Ela, não sabe o que fazer da vida após o término da faculdade e o recente casamento... ele, na crise de meia idade e um casamento de 25 anos nas costas, mal fala com a esposa e não viu os filhos crescerem.
A princípio, a impressão é que tudo isso acontece com eles por culpa do fuso, das luzes frenéticas da cidade e a diferença de cultura... a diretora Sofia Coppola não se apressa a expor seus personagens e mostrar que no atual momento de suas vidas, até a própria casa seria o Japão para eles...
Por meio de pequenos detalhes, vamos descobrindo um pouco mais sobre eles, enquanto mais os dois se aproximam... os sentimentos entre o casal são fortes, intensos, mas não se baseiam no sexo, apesar de não ser uma simples amizade. Talvez seja o amor mais simples e sincero, assim como o filme, apesar de não parecer... Além dos olhares e carinhos trocados, a última frase, praticamente inaudível, dita por Bob ao ouvido de Charlotte, deixa qualquer um com a cabeça cheia de dúvidas.
A câmera, sempre bem posicionada (o que cria cenas lindas, plásticas, como o nado de Bob na piscina do hotel) segue os dois por todo o filme, como um espião... em uma das melhores sequências, os dois correm pela noite de Tóquio e vão acabar em um dos tradicionais bares de karaokê japoneses, cena memorável...
Memoráveis, além da já citada direção de Coppola, são as atuações... os coadjuvantes se sai muito bem: Giovanni Ribisi, Anna Farris... mas para o casal principal faltam adjetivos, Scarlett Johansson e Bill Murray entregam as melhores atuações (até então) de suas aplausíveis carreiras... Murray, além da atuação séria e contida, como o papel pedia, ainda nos dá bons momentos de humor, como a cena do chuveiro, quando o Murray de Feitiço do Tempo nos vem a cabeça...